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TecnoHotel | Segunda-feira, 2 Agosto, 2021

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Nómadas digitais: a chave para impulsionar o turismo?

Nómadas digitais: a chave para impulsionar o turismo?

O termo nómada digital soa como música para os ouvidos? O conceito tornou-se famoso com a ascensão do teletrabalho, mas a verdade é que não é uma ideia nova. 

Já em 1997, apareceu o manifesto “Dos Nómadas Digitais”, escrito por Tsugio Makimoto e David Manners, no qual eles previram um mundo globalizado no qual as novas tecnologias, novos contratos de trabalho e novas práticas comerciais mudariam completamente a nossas vidas, apagando as fronteiras entre trabalho, lazer, casa e viagens.

E agora, com a crise no setor turístico, os nómadas digitais podem tornar-se a chave para um hotel, agência de viagens ou até mesmo um restaurante para diferir da concorrência e obter mais reservas. Basta conhecer esse novo perfil de viajante, o do nómade digital, viajantes à procura de ofertas de médio e longo prazo

Em janeiro de 2019, quando se pesquisava em inglês no Google por “nómadas digitais” encontrava-se pouco mais de 1,3 milhão de resultados. É um número, mas em setembro de 2020 esses resultados cresceram para 5,7 milhões.

O interesse pela vida nómada cresceu como espuma porque muitas pessoas descobriram que podem fazer teletrabalho e, como não têm que ir ao escritório diariamente, por que se amarrar  a um lugar fixo? Podem transformar qualquer quarto ou café do mundo no seu escritório.

Claro, nem todos os nómadas digitais são iguais. Estima-se que 42% deles viajam entre 1 e 14 dias, pois embora tenham liberdade para trabalhar em casa, têm que ir ao escritório por exemplo duas vezes por mês ou uma vez por semana, etc. Enquanto 23%  não precisam ir ao escritório em nenhum momento e, portanto, geralmente fazem viagens entre 31 e 60 dias.

É por isso que qualquer empresa que queira aproveitar este tipo de viajante  deve  preparar ofertas de médio e longo prazo que respondam às necessidades desses viajantes.

O que procuram os nómadas digitais 

Agora que sabe um pouco mais sobre o perfil dos nómadas digitais 

pode atrair-los para o seu negócio, deve interrogar-se sobre o que esses viajantes procuram e o que pode tentá-los. Um dos pontos-chave para atrair esses turistas são preços acessíveis. Geralmente viajam para lugares com um padrão de vida mais barato do que na sua cidade natal. A Tailândia, por exemplo, sempre foi um destino muito procurado entre os nómadas digitais, que poderiam viver muito bem com os seus salários europeus ou americanos neste país do Sudeste Asiático.

Nesse sentido, Portugal tem a grande vantagem de que o seu custo de vida esteja abaixo da média europeia, por isso pode facilmente atrair trabalhadores ingleses, alemães, dinamarqueses, franceses, suíços… E o mesmo vale para muitos países latino-americanos, que são perfeitos para atrair norte-americanos e europeus.

O clima também é um ponto-chave, já que muitos nómades digitais fogem de países onde o sol mal nasce para desfrutar de climas onde é quase sempre verão.

Mas então, se tem a sorte de ter um negócio que está num país com um padrão de vida acessível e também desfruta de um bom tempo e uma cultura amigável… como poderá atrair esses turistas? Aqui estão alguns dos pontos que  precisará destacar na sua estratégia de marketing:

 — Wi-Fi de alta velocidade

A qualidade da conexão à Internet é vital para os nómadas digitais, pois o seu trabalho é baseado no uso de smartphones, tablets e computadores para se manterem conectados. 

— Equipamento de escritório

As suas instalações têm cadeiras ergonómicas, mesas de trabalho ou grandes ecrãs de computador? Se v quiser concentrar-se nos nómadas digitais,  pode diferenciar-se da sua concorrência oferecendo-lhes esses serviços que lhes permitirão trabalhar mais confortavelmente.

— Cozinhas totalmente equipadas

Eles são viajantes, sim, mas  não são turistas não podem ir a restaurantes todos os dias. Por isso que muitos nómadas têm acesso nas suas acomodações a cozinhas equipadas com cafeteiras, espremedores, frigorificos, máquinas de lavar, etc.

— Lugares próximos para socializar

Esses nómadas digitais estão à procura de lugares para socializar e conhecer a cultura local, o que nos leva à próxima seção.

— Experiências locais a preços não turísticos

Os turistas tradicionais geralmente viajam rápido, querem ver tudo antes de voltar para o seu país e é por isso que visitam os lugares mais famosos, fazem as atividades mais típicas e se despedem. Os nómadas digitais funcionam de forma diferente, são “turistas lentos”, pois por estar mais tempo no destino pode aproveitar a sua estadia de forma diferente.

Na verdade, a grande maioria dos nómadas são caracterizados pela procura de experiências locais, mais genuínas e reais que lhes permitam realmente conhecer a cultura local. Estando no seu destino por várias semanas, eles podem aproveitar a oportunidade para conhecer a parte menos turística da cidade e geralmente gostam de fazer atividades com moradores locais e outros nómadas digitais.

Atividades que muitas vezes os atraem incluem atividades ao ar livre, como surf, caminhadas e esqui, além de atividades em equipe, como competições de futebol ou ténis. E, claro, um plano perfeito quando a tarde cai é conhecer restaurantes e bares locais com outros viajantes.

Aqueles que se decidem  mudar temporariamente para outro país não ficarão trancado nos seu quarto depois do trabalho. As empresas que conseguirem combinar boas instalações e serviços, juntamente com uma interessante oferta de lazer a preços não turísticos, poderão conquistar qualquer nómada digital e, assim, impulsionar seus negócios

 

Autor: Stefano De Carlo, CEO da AutomatiKing.com

 

 

 

Clique no link para ler a edição digital:

https://www.tecnohotelnews.pt/revista/no11-janeiro-fevreiro-2021/