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Projeto de investigação apoiado por fundos da União Europeia avalia o Turismo Acessível nas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia

Numa época em que a questão da acessibilidade é cada vez mais premente, o CICET-FCVC, em parceria com o ISAG-EBS, realizou um estudo que possibilitou avaliar a acessibilidade dos destinos turísticos Porto e Vila Nova de Gaia.

22-11-2022 . Por TecnoHotel Portugal

Projeto de investigação apoiado por fundos da União Europeia avalia o Turismo Acessível nas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia

Deste modo, foi possível extrair conclusões que permitem analisar a perceção e satisfação dos residentes e visitantes com os níveis de acessibilidade de ambas as cidades, indo cada vez mais ao encontro de um turismo acessível e mais inclusivo.

O CICET-FCVC, em parceria com o ISAG-EBS, realizou um estudo que permitiu concluir que, apesar do elevado grau de satisfação dos respondentes com as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, ainda existe necessidade de sensibilização para questões relacionadas com a acessibilidade, sendo importante aumentar a consciencialização da comunidade neste âmbito e melhorar a oferta local acessível.

 

Percorrendo pontos estratégicos das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, foi possível inquirir um total de 1595 respondentes, dos quais 67,1% eram visitantes, sendo os restantes residentes. Conseguiu-se, também, observar que 22,2% dos inquiridos indicaram ter algum tipo de necessidade especial e 68,0% revelaram conhecer alguém com necessidades especiais.

 

Este estudo permitiu verificar que 1 em cada 5 respondentes tinham perceções positivas relativamente à sociedade e à sua relação com pessoas com necessidades especiais. Notou-se, ainda, que os respondentes que revelaram conhecer alguém com necessidades especiais se demonstraram mais sensíveis às questões ligadas à acessibilidade destes dois destinos.

 

No que diz respeito à acessibilidade das duas cidades, os elementos que registaram maior grau de satisfação entre os respondentes foram a iluminação adequada (3,6, de 1 a 5), a sinalética clara (3,5), o estacionamento para pessoas com deficiência (3,3) e a existência de passeios largos (3,2). Por outro lado, os parâmetros com os quais os inquiridos se demonstraram menos satisfeitos foram a calçada em material regular e revestido com textura que provoque boa aderência (2,8), o piso/chão sem desníveis acentuados (2,9) e/ou sem os obstáculos físicos (2,9).

 

“A necessidade de sensibilização para a temática da acessibilidade dos destinos fundamenta a importância de se continuar a investir em formação junto dos diversos intervenientes envolvidos na oferta turística. É importante existir um trabalho constante de adaptação à realidade local por parte dos diferentes stakeholdersque operam no setor do Turismo, uma vez que só assim é possível que as cidades portuguesas proporcionem cada vez mais autonomia e inclusão aos seus residentes e visitantes. As autarquias têm, também aqui, um papel fundamental necessitando de dados concretos que auxiliem no planeamento estratégico local e na formulação de soluções adaptadas aos diferentes desafios”, afirmam as coordenadoras científicas do CICET-FCVC e Professoras do ISAG-EBS, Elvira Vieira e Ana Pinto Borges.

 

O trabalho de investigação está a ser realizado pelo Centro de Investigação em Ciências Empresariais e Turismo daFundação Consuelo Vieira da Costa (CICET-FCVC), em parceria com o  ISAG – European Business School (ISAG-EBS), e está integrado no projeto NORTE-06-3559-FSE-000164, cofinanciado pelo Programa Operacional Regional do Norte (NORTE2020), pelo Portugal 2020 e pela União Europeia, através do Fundo Social Europeu (FSE).

 

Em curso até 2023, a investigação encontra-se na fase de análise de dados primários, e irá culminar no desenvolvimento de uma aplicação móvel agregadora de informação sobre acessibilidades, com vista a contribuir para o desenvolvimento do Turismo Acessível nas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, de acordo com as recomendações do Turismo de Portugal e da Organização Mundial do Turismo.

 

“Este estudo é um projeto de enorme pertinência no contexto atual, estando prestes a integrar, também, a participação de pessoas com necessidades especiais, as respetivas Associações, e alguns stakeholders da oferta turística, o que permitirá que os outputs do projeto tenham uma abordagem mais direcionada para os desafios locais. Sentimos que estas análises são essenciais para fundamentar a procura constante de soluções que respondam às expetativas da sociedade do ponto de vista de mobilidade, de segurança e de inclusão. Este projeto pretende ser um forte contributo nesse sentido, particularmente junto dos diferentes intervenientes do sector do turismo”, explicam os investigadores do CICET-FCVC e os Professores do ISAG-EBS, Susana Mesquita e António Lopes de Almeida.

 

Para além da questão da acessibilidade, este estudo permitiu concluir que 99,3% dos inquiridos se demonstraram satisfeitos com a sua visita às cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, tendo 85,9% indicado que iriam pernoitar, em média, 5,5 noites. No que concerne às atividades a realizar ou já realizadas, observou-se uma predominância em relação a visitas ao património, monumentos e/ou museus (82,5%), seguida pelas caves de vinho do Porto (61,6%), compras (46%) e animação noturna (32,9%).

 

Relativamente aos níveis de satisfação associados à visita, os parâmetros melhor avaliados foram “visitar a cidade em geral” (4,6, de 1 a 5), “saborear a gastronomia e conhecer os chefs portugueses” (4,3) e “visitar património/ monumentos/ museus” (4,3). O fator com menor grau de satisfação foi “fomentar os negócios” (2,0), possivelmente pelo facto da motivação que impulsionou os visitantes a optar por estes destinos não se prender com motivos profissionais, mas sim de lazer.

 

Importa, igualmente, salientar que os visitantes inquiridos gastaram (ou tencionavam gastar) um valor médio de 285,99€ por dia, o que gerou para as cidades uma receita média diária de 1.496.209,55€. A maioria dos turistas (78,0%) revelou ainda intenção de regressar aos destinos numa próxima oportunidade.

 

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