Hotéis

“Adults only”: uma tendência turística... legal?

Only adults ou "só para casais" são alguns dos rótulos usados ​​para descrever os estabelecimentos que oferecem exclusividade para maiores de 18 anos, e que incluem restrições de idade para não permitir a entrada de crianças.

15-03-2023 . Por TecnoHotel Portugal

“Adults only”: uma tendência turística... legal?

Essa tendência busca atrair viajantes que buscam um ambiente calmo e descontraído durante a viagem. Esses estabelecimentos oferecem atividades como refeições, degustação de vinhos, tratamentos de spa e entretenimento noturno.

Segundo Pablo Díaz, professor de turismo do Departamento de Economia e Negócios da Universitat Oberta de Catalunya (UOC), "este tipo de turismo é mais caro porque busca mais luxo, calor e experiências, embora os turistas não tenham problemas em pagar mais por isso."

Do Caribe para o resto do mundo

Na década de 1970, a tendência somente para adultos se popularizou em grandes resorts caribenhos e era voltada principalmente para casais que buscavam férias sem filhos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística da Espanha (INE), em 2019, cerca de 23,6 milhões de turistas estrangeiros visitaram a Espanha para fins de lazer, dos quais cerca de 13,3 milhões tinham 45 anos ou mais, e este tipo de turismo foi focado neste nicho mercado.

O único adulto é atrativo tanto para maiores de 45 anos quanto para jovens entre 30 e 45 anos. “Embora seja verdade, o setor do turismo está focado em atrair turistas de idade madura porque são cada vez mais e porque seu gasto médio possível é maior”, diz Pablo Díaz. Em Espanha, o primeiro estabelecimento com esta denominação abriu em 2007 na Playa del Inglés, na Gran Canaria. Devido à pandemia, este tipo de alojamento “cresceu nas zonas rurais de Castilla-La Mancha ou no País Basco”, afirma Díaz.

O 'boom' pós-pandemia

Atualmente, 5% dos hotéis espanhóis são apenas para adultos, segundo um relatório da Confederação Espanhola de Hotéis e Alojamentos Turísticos (CEHAT). E segundo a mídia especializada, após a pandemia do COVID-19, as reservas para casais aumentaram 14% e em 2021 representaram 65% das reservas.

«No início das quedas nas restrições devido à pandemia, buscou-se o distanciamento social. Além disso, vinha de um confinamento familiar, com poucas possibilidades de fugas em casal”, conta Pablo. Talvez, daí o boom do momento. No entanto, passada a pandemia, “parece mais uma tendência impulsionada pelo setor e pelos tempos do que pela própria COVID-19”, acrescenta.

Mas é legal?

No entanto, esta tendência tem sido criticada por quem considera que só os adultos é uma forma de discriminação etária, uma vez que estes estabelecimentos não permitem a entrada de menores.

Segundo Jorge Fernández, professor adjunto da Faculdade de Direito e Estudos de Ciência Política da UOC, esses estabelecimentos podem estar violando o artigo 14 da Constituição espanhola ao discriminar menores.

"A prática usual não é negar, mas sim desencorajar famílias com filhos menores de reservar ou contratar hospedagem nesses hotéis", acrescenta Fernández.

As formas de dissuasão são muito variadas: publicidade centrada em atividades para adultos, inexistência de animação infantil, menus infantis, camas extra ou berços, promoção do hotel como local de descanso romântico, etc.

“São medidas que, em princípio, desencorajam as famílias com filhos menores a reservar neste tipo de hotel, sem que haja expressa proibição de acesso”, refere.

Ainda assim, segundo este especialista, fazer a reserva e perceber o erro, com a família e as malas no hotel, não lhes dá o direito de transferir esses clientes para outro estabelecimento. “Se o motivo para justificar a transferência fosse que é um hotel só para adultos e que crianças menores não podem ficar no hotel, sem dúvida seria discriminação por idade e não seria legal”, explica.

Normalmente, para não incorrer no referido acto discriminatório, é que nestes apenas adultos é feita referência a outras causas que possam justificar esta transferência, “guarnecidos de outros argumentos que tornam mais atractivo o hotel para onde vão ser transferidos à família do que aquela em que fizeram a reserva”, alerta o jurista.

 


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