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TecnoHotel | Domingo, 22 Setembro, 2019

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Turismo responsável por 8% das emissões de gases de estufa

Turismo responsável por 8% das emissões de gases de estufa

O Instituto de Soldadura e Qualidade, em parceria com o Turismo de Portugal, reuniu em Lisboa empresários e players de indústria num evento dedicado à sustentabilidade ambiental no setor do turismo – o qual, para além de essencial para a economia portuguesa, representa quase um décimo das emissões globais de CO2

Segundo um estudo publicado em 2018 na revista Nature, a indústria do turismo é responsável por 8% das emissões de gases de estufa a nível global. Fruto da elevada representatividade do turismo na economia portuguesa e os objetivos ambientais com os quais o país se comprometeu, nasceu a

Estratégia Turismo 2027, dedicada a promover práticas e princípios de sustentabilidade no setor do turismo, com a meta de que 90% das empresas no setor do turismo adotem medidas para incrementar a eficiência energética, a utilização eficiente da água e a utilização racional de recursos.

Foi neste contexto que o Instituto de Soldadura e Qualidade e o Turismo de Portugal organizaram, passado fia 9 de setembro, o evento “Towards a Sustainable Tourism Industry”, que reuniu empresários e players da indústria na Estufa Fria, em Lisboa, com o objetivo de, por um lado, fomentar a disseminação e adoção de boas práticas de sustentabilidade no setor e, por outro, o encontro entre fornecedores de soluções de sustentabilidade e empresas turísticas que possam contribuir para atingir os objetivos da Estratégia Turismo 2027, de forma a “posicionar Portugal como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo”.

Este é, naturalmente, um tema multifacetado, percorrendo todo o espetro desde a logística e transportes, gestão de recursos, sistemas e soluções de gestão inteligentes de edifícios, ou até simples implementação de regulamentos internos nas empresas.

Para isso, contudo, é necessário “o arrojo das organizações em experimentarem novos processos, soluções e tecnologias”, refere Ricardo Rato, diretor de Investigação e Desenvolvimento do ISQe moderador do debate dedicado à eficiência energética. Neste, dois empresários e dois engenheiros relataram de que forma uma variedade de mediadas de sustentabilidade, desde a simples adoção de equipamentos de baixo consumo até complexos e delicados projetos de retrofit de edifícios históricos – como é o caso da fundação Calouste Gulbenkian, cuja renovação começou em 2020 –, têm vindo a alcançar poupanças significativas no consumo energético.

Segundo Ricardo Leite, Galp Soluções de Energia – engenheiro envolvido numa variedade de projetos de eficiência energética com clientes no setor do turismo – relata que o grande fator decisivo ainda é, em muitos casos, o fator humano.
“As pessoas são parte integrante e fundamental nestes projetos. São as pessoas do hotel que operam os equipamentos, são elas que vão ter a percepção e a noção do que é que representa um grau a mais ou a menos quando estão a tomar decisões sobre a climatizarão do hotel, qual é que é a temperatura que o hotel precisa de ter, e qual é que é o impacto das decisões que eles tomam sobre o consumo do hotel”.
Isto pode passar pela tomada de decisão sobre tecnologias e soluções a adotar, pela operação das mesmas, ou até mesmo por simples decisões quotidianas por parte do staff e hóspedes na utilização dos recursos do hotel.
Isto vem já a ecoar o relato do Engº Osário Tomás, envolvido no projeto de quase duas décadas de renovação da Fundação Calouste Gulbenkian e mais recentes esforços na direção da sustentabilidade, o qual relata que “o maior desafio foi convencer as cerca de 400 pessoas que habitam na Gulbenkian de que poupar energia é de facto importante – para a fundação e não só”.
Neste âmbito, RIcardo Leite aponta especificamente a necessidade de combater o “desconhecimento e desconfiança que as pessoas têm em relação a estes projetos, e [convencê-los] de que, quando apresentamos um projeto de eficiência energética, não estamos a ser um entrave – estamos a fazer parte da solução”.

O grande desafio, conclui – para além, obviamente, de implementar ou substituir sistemas complexos em edifícios com altas taxas de ocupação sem causar disrupção – é encontrar clientes que estejam abertos a projetos desta natureza e que não tenham receio das soluções que lhes estão a ser apresentadas.
“Tem de existir um alinhamento e sensibilização quase constante das pessoas que operam o hotel. Às vezes são coisas muito simples como, nas fachadas viradas para sul, as equipas de limpeza fecharem as cortinas para não entrar tanto calor, ou conseguir convencer as pessoas de que no verão não vale a pena ter o hotel completamente gelado – os hóspedes nem valorizam isso”, explica.