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TecnoHotel | Sábado, 29 Janeiro, 2022

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Entrevista a Pedro Salazar, Diretor Comercial da Bensaude Hotels Collection

Entrevista a Pedro Salazar, Diretor Comercial da Bensaude Hotels Collection

A TecnoHotel Portugal continua a sua série de entrevistas a Diretores do setor de hotelaria de várias regiões de Portugal, hoje entrevistamos Pedro Salazar, Diretor Comercial da Bensaude Hotels Collection

THPortugal – Dado o contexto pandémico atual, como caracteriza o estado do turismo na sua região? 

 Pedro Salazar – No que diz respeito aos Açores, onde a Bensaude Hotels Collection tem sete dos oito hotéis, 90% da oferta, verificámos uma rápida recuperação da atividade. A resposta foi muito positiva de toda a oferta que soube reagir de forma adequada, superando dificuldades e adaptando-se a uma nova realidade, com novos procedimentos e diferentes abordagens. Os Açores são uma região que se enquadra nas principais tendências da procura, por isso, todos aqueles que estão de alguma forma envolvidos no setor estão bem conscientes dessa realidade e, penso eu, preparados para aproveitar esta oportunidade não comprometendo os fatores de atratividade.

No caso de Lisboa, a recuperação está a ser mais lenta e tardia, mas o destino continua a ter um enorme potencial e não há ninguém que não o reconheça. Está em falta uma retoma consistente dos grandes eventos. Já tivemos uma pequena amostra, com a edição de 2021 do WebSummit, que superou algumas expetativas, impactando o destino e, em particular, o nosso Hotel Açores Lisboa. Esta unidade reabriu no passado dia 18 de outubro, com uma nova e magnífica envolvente proporcionada por um dos maiores jardins urbanos da capital, o chamado Parque Gonçalo Ribeiro Telles, resultante da remodelação de toda a zona da Praça de Espanha.

 

THPortugal – Quais foram as medidas de apoio a que tiveram direito? Considera que são suficientes?

 Pedro Salazar –A Bensaude Hotels Collection pode aceder a todas as medidas de apoio aplicáveis e que foram muito importantes para mitigar o enorme impacto da paragem total dos mercados. Sem elas teria sido ainda mais difícil atravessar os cerca de dezasseis meses de uma brutal contração da procura em resultado das medidas de combate à Pandemia. Neste momento, ainda é difícil dizer se foram suficientes, porque a recuperação ainda agora começou e o futuro ainda é muito incerto, mas estamos positivos.

 

THPortugal – A pandemia do Coronavírus obrigou a limitações na circulação de pessoas. Quais são as nacionalidades que se hospedaram no seu hotel?  No total de reservas qual é percentagem de hospedes nacionais no seu hotel? 

Pedro Salazar –Durante largos meses, nos hotéis que mantivemos abertos tínhamos apenas os mercados regional e continental a funcionar, por isso, a principal nacionalidade foi a portuguesa. Quando começou a haver alguma abertura começaram a surgir outras nacionalidades, tais como, turistas franceses, espanhóis, norte-americanos, dinamarqueses, ingleses e alemães, embora estes últimos muito abaixo do seu ranking natural. Para a totalidade de reservas até à data no acumulado ao ano de 2021, os nacionais representam cerca de 65% dos hóspedes.

 

THPortugal – A quebra do turismo provocou um crescimento do desemprego. O seu hotel reduziu o número de colaboradores?

— Pedro Salazar –Numa fase inicial, em consequência do fecho total dos hotéis, foi inevitável algum ajustamento nas equipas, contudo, a nossa opção foi manter a quase totalidade dos colaboradores. Esta opção estratégica foi fundamental para a recuperação que conseguimos encetar.

 

THPortugal – Considera que as preocupações de segurança, sustentabilidade e a utilização de novas tecnologias vai trazer melhorias na experiência do cliente?

-— Pedro Salazar –A aplicação das medidas de higiene e segurança, tanto passivas como ativas no contexto de hotel, são uma atividade altamente treinada e que se assume já como uma rotina tendo, essencialmente, um efeito de gerar confiança junto dos clientes. Claro que isso contribui para uma melhor experiência por parte do cliente.

No que diz respeito à sustentabilidade e à utilização de novas tecnologias, estas poderão ser elementos diferenciadores e têm o potencial de desenvolver novas experiências dentro e fora dos hotéis. As práticas de sustentabilidade podem gerar sintonia com os valores dos clientes, permitindo-lhe dar um significado diferente à sua viagem e à sua estadia em particular. Por outro lado, as novas tecnologias podem contribuir para amplificar a experiência com mais conhecimento, partilha e maior profundidade antes, durante e depois da viagem – na verdade, estes dois temas representam grandes desafios e oportunidades para a hotelaria.

   

THPortugal – Tem havido um aumento da venda direta em relação às OTA’s? Qual a percentagem de reservas por venda direta?

 — Pedro Salazar –O crescimento das vendas diretas é uma tendência que se tem verificado, mas ainda é cedo para fazer uma avaliação e extrair números muito definitivos, porque a segmentação de canais de venda é muito diversificada em cada hotel e a análise não é linear. No entanto, podemos afirmar que estamos a seguir uma estratégia consistente e sustentada no reforço do nosso canal de reservas diretas, iniciada ainda antes da Pandemia.

  

THPortugal – Quais as suas previsões para o futuro do setor? 

Pedro Salazar –Há sempre, pelo menos, duas formas de nos posicionarmos num exercício de previsão. Se nos colocarmos numa perspetiva otimista podemos pensar num desenvolvimento mais sustentado, com maior enfoque na experiência e nos motivos mais nobres de um setor que existe para suprir necessidades de lazer, descanso, prazer e conhecimento, mas também para gerar contextos de partilha, inclusão, tolerância e sentimento de pertença. Um lado mais otimista pode ver um setor a regressar, nalguma medida, ao lado nobre de viajar, à experiência de conhecer outras geografias e culturas e de, com isso, ajudar-nos a crescer e enriquecermo-nos interiormente.

Um lado mais pessimista pode olhar para um setor que se vai concentrar apenas e de forma cega em retomar os níveis de rentabilidade do passado recente. Como em tudo, no meio estará o equilíbrio desejável. Não perdendo a noção de que o Turismo e a hotelaria em particular são um negócio e que não há negócio sem perspetivas de rentabilidade, o setor irá perceber que o futuro tem de ser de preservação ecológica, sustentabilidade social e económica e que, assumindo a responsabilidade de ser um dos principais setores de atividade a nível planetário, deve alinhar-se com os grandes desafios da humanidade – combate às alterações climáticas, com a adoção de fontes de energia mais limpas, combate às desigualdades, promovendo um impacto económico e social positivo no destino, promoção da tolerância, através de uma experiência culturalmente rica e autêntica que nos permite valorizar a diferença, ao contrário de a estranhar.

Independentemente de previsões, de uma forma ou de outra, é quase certo que o setor do Turismo será cada vez mais importante num contexto crescente de interdependência global, por isso, fundamental para o desenvolvimento social e económico da grande maioria dos países do Mundo.